Localizados no extremo Sul do continente americano, entre a Argentina e o Chile, os parques da Patagônia são uma oportunidade de explorar as grandes geleiras, em temperaturas que variam de 5°C a 15°C, no ver
O aviso da véspera retorna à mente durante a primeira hora e meia de caminhada, por uma trilha de montanha, ladeando o glaciar; ao cansaço se junta o fator psicológico de estar tão perto do gelo e não poder ainda pisar nele. Mas, depois desse primeiro teste de resistência, basta amarrar os grampos nas botas, atravessar uma faixa de gelo sujo de terra, trazida pelo vento, e o que parecia glacê de bolo visto de longe se transforma em um impressionante sobe-e-desce branco e azul.
Filetes turquesa sob o gelo indicam onde existe água corrente; quando ela chega à superfície, em forma de lagos, riachos e pequenas cachoeiras, é completamente potável. A ação do vento e da água faz com que a superfície do glaciar esteja em mudança lenta, mas constante, criando desde áreas mais planas até cavernas. As quatro horas sobre o gelo são de caminhada lenta; subir, descer e andar sobre as cristas exigem técnicas diferentes, mostradas pelos guias assim que o grupo entra na geleira. O almoço é feito à beira de um lago, e a latinha de refrigerante só precisa passar alguns minutos mergulhada em uma pequena poça d’água para ficar estupidamente gelada. A hora e meia final, pela mesma trilha do início, é coroada com uma dose de uísque – o gelo, é claro, só podia vir do glaciar.
O Perito Moreno está longe de ser a maior das geleiras do Parque Nacional dos Glaciares, mas se tornou o mais famoso por sua acessibilidade. Felizmente para os menores de 18 e maiores de 50 anos, existe uma versão light do Big Ice: o Mini Trekking, disponível para quem tem entre 10 e 65 anos, tem pouco menos de quatro horas de caminhada, 1h40 das quais sobre o gelo. Mas quem não quiser tanta intimidade com o Perito Moreno também tem opções: admirar o glaciar das passarelas do parque, ou chegar mais perto do paredão branco em um passeio de barco.
Serviço:
Apenas a Hielo y Aventura (www.hieloyaventura.com) tem permissão para guiar os turistas em caminhadas sobre o Perito Moreno; outras agências em El Calafate também vendem o Mini Trekking e o Big Ice, mas os passeios sempre são operados por profissionais da Hielo y Aventura, que cobra AR$ 440,00 pelo Mini Trekking e AR$ 700,00 pelo Big Ice (não inclui a entrada no Parque Nacional dos Glaciares).
É preciso levar a própria comida.
Já o passeio de barco pelo Lago Argentino é oferecido por várias operadoras.
No Chile, a Patagônia é para os amantes das caminhadas
O Parque Nacional de Torres del Paine, no Chile, que na última semana teve 12.500 hectares de florestas nativas destruídas por um incêndio, é um paraíso para os amantes de caminhada: para conhecê-lo bem, com detalhes, recomenda-se passar de três a cinco dias explorando as trilhas dentro da área. Mas quem não tem todo esse tempo (ou disposição) conta com a possibilidade de um bate-volta partindo de El Calafate, já que o parque fica a cerca de três horas, de carro, da capital argentina dos glaciares.
As “torres” propriamente ditas são três picos de rocha exposta, que a natureza levou milênios para esculpir em um processo contínuo: a neve se acumulava e, ao descer, carregava a pedra consigo. Assim, as montanhas, que tinham forma de cone, viraram quase três cilindros. Apesar de serem a atração que dá nome ao parque, nada garante que estarão à disposição do visitante de um dia: o tempo instável nas montanhas pode deixá-las encobertas mesmo que boa parte da região tenha céu limpo.
Um efeito colateral do processo que formou as torres é o surgimento de uma série de lagos em volta das montanhas, cada um deles com suas características e tons de azul que vão do esverdeado do Lago Nordenskjöld (o preferido para fotos de cartão-postal) ao turquesa do Lago Sarmiento de Gamboa. Em alguns deles, as margens esbranquiçadas revelam depósitos de calcário ou de micro-organismos que, juntos, formam uma espécie de esponja, como na Laguna Amarga. Vários dos lagos são interligados, e o parque tem duas cachoeiras principais, o Salto Paine, no Rio Paine; e o Salto Grande, que liga os lagos Nordenskjöld e Pehoe – nenhum deles, no entanto, impressiona pela altura.
Durante o passeio, não será difícil encontrar guanacos, um parente da lhama que tem passagem livre pelo parque de Torres del Paine. Eles estão em todo lugar, andando sempre em grupos, e têm preferência para cruzar as estradas. Por mais tentador que seja chegar perto dos animais para um carinho ou uma foto, os guias recomendam manter uma distância prudente, já que os guanacos “atacam” com cusparadas, não sem antes avisar que estão se sentindo desconfortáveis ou ameaçados – se o guanaco perto de você estiver com as orelhas para trás, melhor sair de fininho.
Serviço:
Várias agências de El Calafate oferecem o passeio de um dia a Torres del Paine, saindo no começo da manhã e retornando à noite, com um total de cerca de seis horas dentro do parque. Entre elas estão a Patagonia Backpackers (www.patagonia-backpackers.com), e a Chaltén Travel (www.chaltentravel.com). O preço médio do passeio é US$ 120 por pessoa, costuma incluir almoço, mas não inclui a entrada no Parque Nacional de Torres del Paine.