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2009Apenas 7,47% da população compram livros no Brasil
Artigo Cotidiano / 14-09-2009 / 15:40
Segundo a pesquisa “O Livro no Orçamento Familiar”, realizada pelo IBGE, 40,7% das famílias brasileiras adquirem algum tipo de material de leitura, 7,47% da população adquirem livros não didáticos e comprometem 0,05% da renda familiar. O estudo foi realizado com base na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF 2002-2003), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada no final de 2007, e permitiu traçar o perfil do mercado consumidor, por nível de renda, escolaridade, local de compra e outras variáveis importantes. Os dados foram coletados ao longo de 12 meses (julho de 2002 a junho de 2003) e têm uma amostragem de aproximadamente 50 mil domicílios, distribuídos em áreas urbanas e rurais de todos os estados do País.
A pesquisa “O Livro no Orçamento Familiar” comparou a soma dos gastos das famílias brasileiras com material de leitura a outras despesas não essenciais. O valor relativo à aquisição de aparelhos, manutenção e compra ou aluguel de conteúdo (fitas, discos, CDs, softwares, jogos etc) de televisão, som, vídeo, DVD, informática e jogos eletrônicos, dentre outros itens (Grupo 1), foi de R$ 19,303 bilhões, praticamente equivalente à soma dos outros três grupos analisados no estudo.
Os gastos com telefonia celular (Grupo 2: compra e manutenção de aparelhos, assinatura e cartões) aparecem em segundo lugar, atingindo R$ 8,816 bilhões; os dispêndios com opções de lazer fora de casa (Grupo 3) chegaram a R$ 6,154 bilhões; os gastos com o conjunto de itens de material de leitura foram de R$ 5,471 bilhões, somando-se o total de despesas com revistas, jornais, livros didáticos e não-didáticos, fotocópias, livros religiosos, técnicos, dicionários, apostilas e bibliotecas.
O gasto médio anual com revistas, por família, chega a R$ 42,00. Com jornais, esse dado é de R$ 17,00, enquanto as despesas com livros não-didáticos é quase quatro vezes menor – apenas R$ 11,00 por ano.
O principal item de leitura consumido pelas famílias brasileiras, em todas as faixas de renda e para todos os níveis de escolaridade, é o grupo composto pelas revistas e jornais, que representam, respectivamente, 37,1% e 15,2% do total dos valores despendidos. Ou seja, mais da metade (52,3%) de todo o gasto com leitura destina-se a revistas e jornais. A despesa com livros didáticos representa 19,6% do total – praticamente 1/5 do gasto com leitura vai para livros escolares, de todos os níveis.
LIVRO X FOTOCÓPIA – A compra de livros também sofre a concorrência das fotocópias, cujo gasto total quase se iguala ao das obras não-didáticas. Da totalidade das despesas das famílias com material de leitura, 10,1% são com compras de livros não-didáticos, enquanto as fotocópias representam 9,7%. As relativas às fotocópias, que superam de longe as referentes aos livros técnicos, são consistentemente maiores (independentemente do critério adotado, seja por renda familiar, seja por escolaridade da pessoa de referência) nos domicílios com estudantes, indicando que, muito possivelmente, pelo menos parte dessas fotocópias substitui material impresso. Grande parte das fotocópias é realizada em estabelecimentos de ensino.
Desde a realização da 4ª POF, em 2002-2003, a importância do consumo de material de leitura no orçamento das famílias certamente sofreu alterações, devido principalmente à mudança na proporção de domicílios com indivíduos com posse de telefone celular, que tem crescido de modo constante e significativo, mais do que duplicando entre 2001/2007, indo de 31,2% no primeiro instante para 67,9%. No momento, o IBGE realiza a coleta de dados da 5a POF (Julho 2008-Junho 2009), cuja análise poderá confirmar ou não esta hipótese.
Da mesma maneira, o índice de domicílios dispondo de microcomputador passou de 16,6%, em 2001, para 27,4%, em 2007, o que também favoreceria uma eventual substituição da leitura dos “livros físicos” pela consulta de arquivos digitais. Tal possibilidade ainda deve ser confirmada, quando for concluída a próxima POF.
Para Beltrão, a melhoria na distribuição de renda e nos níveis de escolaridade da população, verificada nos anos recentes, não garante que haja aumento no consumo de livros, uma vez que a folga nos orçamentos familiares pode ser canalizada para a compra de outros bens e serviços, de desfrute mais fácil e maior apelo comercial. “Apenas o acompanhamento da modificação dos padrões de consumo das famílias brasileiras ao longo do tempo, através da análise de futuras pesquisas de Orçamento Familiar, confirmará ou não a justeza dessas hipóteses”, conclui Beltrão.