As cidades precisam de planejamento sustentável

Notícia em Foco / 17-09-2009 / 13:51

Nos anos 1980, as principais cidades do Brasil cresceram desproporcionalmente e passaram a gerar problemas ambientais. Na contramão do caos, Curitiba se estruturava de forma diferente, gerando elogios quanto ao planejamento urbano. A cidade chegou a ter, na década de 1990, um crescimento de 5% ao ano, porém sem a preocupação sustentável. O número de construções na horizontal avançou sobre espaços verdes da capital.

Segundo o levantamento realizado pelo Sinduscon (Sindicato da Indústria da Construção Civil), foram liberadas, em 2007, 8.298 residências de até três pavimentos, e em 2008 o total chegou a 8.951 construções, boa parte delas em conjuntos residenciais. Na avaliação do ecologista João Bigarella, professor catedrático de Geologia Econômica da Universidade Federal do Paraná, a liberação elevada de conjuntos residenciais afeta o solo e alguns espaços verdes, gerando passivo ambiental. O professor concedeu entrevista à Gazeta do Povo sobre os problemas que essas construções podem criar.

Social no Jornalismo– Qual a alternativa sustentável para expansão urbana? 
João Bigarella –
A expansão deve ser em torno das cidades maiores, visando a qualidade de vida e não somente visar o desenvolvimento imobiliário. Hoje temos um inchaço desproporcional nas cidades maiores. É preciso rever o planejamento quanto à ocupação humana, de modo que pulverize o crescimento das cidades menores. E nelas deve ter estrutura com trens urbanos, metrôs, saneamento com ligação à cidade maior. O crescimento populacional não tem como evitar, mas temos como planejar. E os investimentos federais nos municípios deveriam ser diferenciados para as regiões metropolitanas.   Existem bairros na capital paranaense que estão praticamente ocupados por conjuntos residenciais, sem área verde…
A área verde é necessária principalmente em função do lençol freático. Quanto mais você desmata, mais o lençol freático abaixa de nível e a água vai desaparecendo.  As consequências disso são as erosões e as rachaduras nas casas. 

SJ- A população consegue perceber que esses empreendimentos imobiliários afetarão o futuro socioambiental da cidade?
BIGARELLA
– Tenho a convicção de que não. Muitas construções são realizadas em áreas de risco. E os principais responsáveis são os órgãos públicos; a população muitas vezes é enganada. A sociedade civil precisa se organizar e cobrar um planejamento mais sustentável.

SJ- Como planejar a ocupação urbana?
BIGARELLA -
É preciso seguir um planejamento mais responsável com critérios rigorosos de mapeamento de solo, fauna, flora e recursos hídricos. Grande parte das vezes isso não acontece. O que deve estar em jogo é a qualidade de vida, devendo a cidade maior se integrar com outros municípios. O meio ambiente e os animais não fazem divisas com os municípios. É preciso um planejamento criterioso e não político. É preciso brecar a especulação imobiliária e trabalhar pela qualidade de vida e não pelo imediatismo. Devemos pensar em longo prazo. 

 

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