jun 26
2009Por Arthur Conceição
Hoje, falta integração com a Região Metropolitana de Curitiba que tem 3,1 milhões de habitantes e 90% habitam na zona urbana. No total são 26 municípios, com um problema em comum que reflete diretamente na capital paranaense. Segundo estimativas do IBGE, grande parte da massa trabalhadora de Curitiba vem do entorno. Os dois únicos municípios autônomos economicamente são Araucária e São José dos Pinhais, sendo estes responsáveis por 85% da arrecadação de ICMS de todos os demais municípios em volta de Curitiba. Com isso, os outros municípios acabam sendo descriminados pela prefeitura municipal da capital. E o pior problema hoje enfrentado por todos os municípios da Região Metropolitana é o transporte coletivo.
ÔNIBUS
Transporte Coletivo
Atualmente, apenas 12 municípios possuem integração com o sistema de transporte urbano de Curitiba. O grande problema está na administração da Rede Integrada de Transporte (RIT), que é gerenciada pela URBS, empresa de economia mista pertencente à Prefeitura de Curitiba. A URBS paga as empresas de ônibus por quilômetro rodado; se o ônibus for vazio, a empresa privada de ônibus não perde. Segundo a URBS, a criação de novas linhas e a expansão das já existentes poderiam causar um reajuste na passagem.
Conforme os dados levantados por alguns prefeitos da Região Metropolitana e pelo governo de Estado, esse aumento não seria verdadeiro. Poderia haver compensação com a extensão de novas linhas existentes. Mas a URBS não permite que os municípios vizinhos possam entrar nesta discussão e planejamento. “Da forma como está sendo gerenciado hoje o transporte urbano, ele só é integrado com municípios mais populosos e economicamente mais ricos”, destaca Wilson Martins, arquiteto e urbanista .
O prefeito que faz muitas queixas contra a URBS é o de Campo Magro, Rilton Boza. “Há dois anos estou tentando expandir quatro linhas, mas é muito difícil”, afirma o prefeito. Ele já tentou negociar com a URBS para levar o transporte coletivo a outras três localidades do município. “A URBS devia ver as dificuldades dos municípios da Região Metropolitana. Em uma de nossas localidades, os técnicos da URBS disseram que não há demanda suficiente. Tenho certeza de que as localidades apontadas pelas nossas secretarias, como o Morro da Formiga, o Passaúna e Jardim São Roque, têm demanda”, comenta Boza. “Os percursos dos ônibus de forma integrada que entram em nosso município aumentariam um ou dois quilômetros para atender a essas localidades. Temos uma boa relação com a URBS, mas para ser atendido é difícil”, lamenta profissional.
Segundo o ex. presidente da Comec, Alcidino Bittencourt Pereira, os problemas do transporte urbano refletem diretamente na concentração de pessoas em determinadas áreas e fazem aumentar a especulação imobiliária. “Nos últimos anos, a capital foi egoísta com os demais municípios em torno de Curitiba. Hoje, ela está pagando caro por isso e muitas cidades sofrem por não possuir integração. Temos estudos que mostram que onde tem ônibus integrado, o terreno vale mais, e onde não tem, o preço despenca”, disse Bittencourt, lembrando que Curitiba precisa assumir um compromisso em conjunto com os demais municípios.
Bilhete único e o transporte integrado
Hoje, a capital paranaense não possui um sistema de transporte com integração plena, em que o usuário, com um único bilhete, possa trocar de ônibus sem descer em tubos-estação ou em terminais – dentro de um mesmo período. A única integração existente são locais determinados pela URBS. A média de tempo de deslocamento, com conexão em terminais, é de uma hora e meia para cada passageiro. Se tivesse o bilhete integrado em Curitiba, o usuário diminuiria o tempo dentro do ônibus, e por sua livre escolha faria conexões mais rápidas para chegar em casa e ao trabalho. Essa forma também permitiria uma maior mobilidade da população da Região Metropolitana de Curitiba.
A maioria dos terminais de ônibus da cidade de Curitiba não comporta mais o número de usuários, devido à conexão forçada pela URBS em locais próprios e determinados. Essa política de transporte forçado na capital reflete diretamente na vida do curitibano. Segundo levantamento realizado pela Comec, se o transporte público tivesse uma integração plena, por meio do bilhete único, o usuário poderia pegar até três ônibus por um período de uma hora e meia, o que diminuiria o tempo do seu destino. Esse sistema não acarretaria custas maiores à URBS, pois hoje o usuário que vai ao terminal sempre pega dois ônibus em média. E se forem construindo pequenos terminais próximos das cidades da Região Metropolitana, e com idéia do bilhete único, despenderíamos menos dinheiro e menos tempo.
Segundo Bittencourt, é preciso ter coragem para remanejar todo o sistema de transporte sem se ter medo dos interesses particulares. “Precisamos apresentar um modelo mais moderno é ágil para o transporte coletivo, com terminais que não tenham catracas e permitindo a população ter uma mobilidade mais rápida. Temos um mesmo modelo de transporte há mais de vinte anos. Com a era da informática, por meio dos cartões de transporte, já podemos apresentar um novo modelo de transporte coletivo”, ressalta.
Integração
O prefeito de Campo Largo, Edson Basso, também acredita que a integração é importante. Mas ele acha que os municípios não podem depender apenas do desenvolvimento conjunto. Campo Largo faz parte do consórcio do lixo, mas articula para não ter problemas futuros. “Nós depositamos o lixo hospitalar na vala séptica de Curitiba. Mas temos um plano emergencial capaz de armazenar nosso lixo hospitalar”, contou. Basso disse que o transporte é parcialmente integrado com Curitiba, mas pretende integrar os bairros da cidade da mesma forma. Há um projeto, junto com a Coordenação da Região Metropolitana (Comec), órgão da Secretaria Especial de Assuntos da Região Metropolitana de Curitiba, para a construção de um novo terminal de ônibus na cidade, mas isso só vai depender da boa vontade da URBS. Conforme os dados dos municípios, a integração não existe e o problema persiste por anos entre os municípios.
Consórcio Público Metropolitano
O consórcio metropolitano, que reuniria prefeituras e governo do Estado, é apontado como solução para questões comuns entre os municípios da Região Metropolitana de Curitiba, mas ainda não saiu do papel.
Uma das alternativas seria a formação de um consórcio metropolitano de planejamento urbano, idéia defendida na campanha passada pelo PT e PMDB. O consórcio teria representantes dos municípios e do governo do Estado, por meio da Comec. Por enquanto, a proposta não saiu do papel, já que depende de aprovação de leis nas câmaras municipais de cada cidade.
Segundo o ex. candidato a prefeitura de Curitiba Dr. Carlos Moreira Junior, essa idéia está movimentou na época vários prefeitos da Região Metropolitana. “Muitos prefeitos vizinhos estão nos procurando para debatermos essa questão em nosso plano de governo. Mas, para o candidato, a simples formação de um consórcio é um grande passo. Mas seria preciso repensar uma ação integrada de infra-estrutura dos municípios em torno de Curitiba, principalmente na questão ambiental”, propõe.
O consórcio público pode ser criado conforme a Lei Federal 11.107, de abril de 2005, que teve sua regulamentação em janeiro de 2007. O consórcio é uma entidade pública e funciona no modelo de uma autarquia como o IPPUC. No discurso do Moreira (15), se a prefeitura de Curitiba se unir com os municípios vizinhos e formar um consórcio de planejamento urbano, poderá se criar uma gestão conjunta e solucionar grande parte dos problemas urbanos comuns entre municípios. “Essa é uma idéia que temos de levar em frente, principalmente neste período eleitoral, que serve para alertamos a população e criarmos novas idéias”, finaliza.
Levantamento sobre o transporte público da Região Metropolitana de Curitiba
Hoje, o sistema está integrado somente com 12 municípios da Região Metropolitana: Almirante Tamandaré, Colombo, Pinhais, São José dos Pinhais, Araucária, Fazenda Rio Grande, Campo Magro, Campo Largo, Contenda, Rio Branco do Sul, Itaperuçu e Piraquara. A integração se dá por linhas convencionais, de ônibus metropolitanos, Expressos e Ligeirinhos, transportando diariamente cerca de 500 mil pessoas que residem ou trabalham nas cidades vizinhas.
Número de Empresas: 28
Integradas: 22
Não Integradas: 6
Número Total de Empregados: 14.656
Número Total de Empregados/Integradas: 12.272
5.090 motoristas
4.870 cobradores
189 porteiros
217 fiscais
84 atendentes
484 funcionários de limpeza
989 funcionários de manutenção
349 administrativos
Número Total de Empregados/Não Integradas: 2.384
1.032 motoristas
930 cobradores
6 porteiros
62 fiscais
7 atendentes
80 funcionários de limpeza
178 funcionários de manutenção
89 administrativos
Número de Empregos Indiretos: 60.000
Cadeia Produtiva: 240.000 pessoas
N.º Passageiros
Total: 27.515.000 Média/Mês/Ano (são os 12 meses somados e divididos por 12)
RIT: 24.410.000
Urbanos: 19.950.000
Metropolitanos: 4.460.000
Metropolitanas Não Integradas: 3.105.000
N.º Passageiros/Dia/Deslocamentos
Total RIT: 2.200.000
Urbanos: 1.900.000
Metropolitanos: 400.000
N.º Passageiros Pagantes/Dia
Total RIT: 1.035.000
Urbanos: 850.000
Metropolitanos: 185.000
N.º Isentos/DIA
Total RIT: 330.000
Gratuidade
Idosos acima de 65 anos
Crianças menores de 05 anos
Portadores de Deficiência e Invalidez
Fiscais do Ministério do Trabalho
Polícias Militares
Guardas Municipais
Funcionários do Sistema de Ônibus
Funcionários dos Correios (carteiros e entregadores)
Passe Escolar
Oficiais de Justiça
Diferença entre Isentos/Descolamentos
Total RIT: 835.000
N.º de Ônibus
Total: 2.585
RIT: 2.170
Urbanos: 1.570
Metropolitanos: 600
Metropolitanos Não Integrados: 415
Renovação da Frota
Vida Média: 7,5 anos
Novos Ônibus em 2006: 269
Investimentos das Empresas com os novos ônibus: R$ 104.000.000,00
Números de Linhas
Total de Linhas: 390
Urbanas: 285
Metropolitanas: 105
Números de Terminais
Total de Terminais: 29
Urbanos: 22
Metropolitanos: 7
Números de Estações Tubo
Total de Estações Tubos: 351
Urbanas: 332
Metropolitanas: 19
Km Rodados/Dia
Total de km rodados/dia: 477.000
Urbanos: 343.000
Metropolitanos: 134.000
Frota Total Sistema Integrado: 2.160 ônibus
Frota Total Grande Curitiba: 2.530
Municípios com acesso à integração: São José dos Pinhais, Pinhais, Colombo, Piraquara e Rio Branco do Sul, Almirante Tamandaré, Fazenda Rio Grande, Campo Largo, Campo Magro, Araucária, Contenda, Itaperuçu e Bocaiúva do Sul.
Estações-tubo: 351
Canaletas exclusivas: 72 km. No Brasil, 11 cidades – incluindo Curitiba – possuem 123,2 km de vias exclusivas.
Cinco grandes corredores: Boqueirão, Norte, Sul, Leste e Oeste.
Pontos de parada: 5.000
Transporte especial: feito através do SITES (Sistema de Transporte de Ensino Especial), no Cristo Rei, com 2.600 alunos transportados por dia em 38 linhas que atendem a 36 escolas especializadas
Linhas: 469 linhas na Grande Curitiba, sendo 388 integradas
Viagens por dia: No sistema integrado são 21.000 viagens por dia útil. Na Grande Curitiba, são 23.000 viagens por dia útil.
Linha com o maior itinerário: Interbairros III (31 km com 26.000 passageiros do Santa Cândida ao Capão Raso)
Linha com o menor itinerário: alimentador Conjunto Mercúrio (Terminal Centenário – bairro = 1.000 passageiros por dia; 2 km )
O maior deslocamento: Rio Branco do Sul a Contenda (70 km; 4 baldeações)