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2010Gangues: uma grave ameaça à sociedade
Notícia em Foco / 02-03-2010 / 18:00
Não se pode deixar cair no esquecimento os graves episódios ocorridos semana passada, no Rio e em São Paulo, relativamente à violência perpetrada por gangues de jovens..
Em tempos de violência urbana extrema as gangues de jovens, algumas inclusive constituídas pelo abominável pressuposto da supremacia racial, preocupam e atemorizam cada vez mais a sociedade em que vivemos. Gangue é sinônimo de demonstração de bestialidade, agressividade. vandalismo, selvageria. Muitos dos integrantes dessas gangues, cuja finalidade precípua é a desordem pública e o confronto com grupos rivais, na desobediência de normas de conduta social, aproveitando-se da sensação de encobertamento oferecido pelo grupo (anonimato), onde cometem crimes contra a vida e o patrimônio, são os mesmos que compõem algumas torcidas organizadas de futebol, onde dentro e fora dos estádios- vide os tristes episódios da última rodada do campeonato brasileiro do ano passado, no Rio e em Curitiba- comportam-se como seres não civilizados.Valentões e machões até o momento em que são identificados, presos e processados em nome da lei e da ordem.
A noite de quinta-feira, 14 de janeiro, em que lamentáveis episódios de desordem, arruaça e agressão física, gratuita, ocorreram no Rio e em São Paulo, estão a exigir (urgência urgentíssima) enérgicas e providenciais ações das autoridades competentes. A polícia tem que ser pró-ativa nesse caso. Antecipar-se, através de seu serviço de inteligência, aos fatos. Não se pode esperar que aconteça para reagir. Há que se identificar, o quanto antes, as lideranças e os grupos de desordeiros “bombados” que os compõem- muitos ingerem ao mesmo tempo bebida alcoólica e energéticos para criarem coragem e praticarem os atos de vandalismo- sob pena de cada vez mais cidadãos ordeiros se sentirem ameaçados no seu direito de ir e vir em vias públicas, como se já não bastassem os “bandidos sociais”, que nos “bondes do terror”, com armas de alta destruição, matam policiais e víimas indefesas sem dó e piedade. Vide os casos de violência ocorridos no último fim de semana no Rio.
Em São Paulo, na fatídica noite de 14 de janeiro, um jovem (punk) de 15 anos, depois de espancado (pasmem) foi arrastado num carro por skinheads por cerca de 60 metros. A vítima da covarde agressão sofreu traumatismo craniano, um dos rins foi perfurado, três costelas foram fraturadas e corre o risco de perder a visão do olho direito. O irmão, também adolescente, ao presenciar a horrível cena entrou em estado de choque. Os homicidas em potencial foram presos em seguida. Agora responderão por tentativa de homicídio triplamente qualificado e podem ser condenados por 30 anos pelo bárbaro crime. A meu ver trata-de caso típico de prisão perpétua, pena inexistente pela argumentação da claúsula constitucional “pétrea” no benevolente Código Penal Brasileiro. Que me desculpem: pétreo é o direito supremo à vida. Caso tenham bom comportamento no cárcere, ainda que o crime tenha sido hediondo, ao completarem 2/5 de cumprimento da pena, serão beneficiados com a progressão do regime carcerário. Convenhamos é muita misericórdia e benevolência com bandidos que cometem um crime torpe e bárbaro como este.
No Rio, naquela mesma noite, uma rixa entre jovens de classe média, de bairros da Zona Norte, com encontro para o embate (crime virtual) marcado através da INTERNET, levou pânico aos moradores do bairro do Grajaú. No caminho para a “arena” depredaram carros e lixeiras e tudo mais que encontravam pela frente. Um adolescente de 15 anos, que nada tinha a ver com o fato, foi tido como rival e espancado. A Polícia Militar conseguiu deter 25 dos integrantes da horda (bando de indisciplinados), sendo 16 menores de idade, não “inocentes”, porém inimputáveis perante a lei penal. No máximo sofrerão penas educativas à luz do anacrônico e permissivo Estatuto da Criança e do Adolescente.
Há que se cobrar neste instante também a responsabilidade dos pais. Que tipo de valores sociais estão sendo transmitidos aos filhos? Que sociedade estamos criando para as próximas gerações? Será que a autoafirmação dos jovens de hoje tem por base a quebra de normas de conduta social através da força física? Estaríamos retrocedendo para os tempos de bárbárie? E o papel da escola, como importante agência de formação social? A salutar cultura física, a ‘mens sana in corpore sano’ trazida dos gregos, está sendo deturpada para fins de agressividade? A autoestima de jovens está sendo canalizada para atos de violência? E o papel dos meios de comunicação de massa, especialmente a televisão? Até onde também têm a sua dose de responsabilidade? E a questão do uso de drogas lícitas e ilícitas pelos mais jovens? Até que ponto as drogas incentivam tais comportamentos e estimulam a agressividade?
São perguntas que estão a requerer muita reflexão e urgentes respostas. Por enquanto o comportamento social inadequado, de jovens desordeiros, continua a ameaçar gravemente a sociedade. Isso é simplesmente inaceitável. Puna-se com o máximo rigor os arruaceiros selvagens. A complacência dos bons sempre aguça a ousadia dos maus.