fev 07
2012Garibaldi e Sacis e a Insanidade Policial
Notícia em Foco / 07-02-2012 / 07:18
Por Arthur Conceição
Sol, alegria e marcha de carnaval. Manifestação popular na sua pura essência no sentido de proporcionar felicidade e paz para a cidade, ao coro dos cantores carnavalescos junto do ritmo dos tambores. É assim que o grupo pré-carnavalesco Garibaldis e Sacis faz, há mais de doze anos, no centro velho da cidade de Curitiba. Tudo começou com um carrinho puxado pela mão que, ao seu redor, trazia somente um número pequenos de seguidores.
Hoje os puxadores da velha marchinha de carnaval vão em cima de um pequeno caminhão seguido por uma multidão, sem perderem o embalado da alegria carnavalesca. Da roda de amigos cantores passou a ser uma grande manifestação popular que integrou a tradição cultural da capital paranaense. Toda essa alegria contagiante foi quebrada ao som das bombas de lacrimogêneo e gazes de pimenta da Polícia Militar, que levou os foliões a entrarem em desespero. Motivo político ou não, tudo começou por uma situação isolada de vandalismo contra uma viatura policial. Essa situação poderia ter sido reprimida com uma simples contenção dos “insurgentes”. Mas a polícia militarizada não atuou apenas contra um pequeno grupo de “baderneiros”, mas avançou sobre todos os populares.
O conjunto policial militarizado tratou a coletividade como vândalos, usando do maior rigor de violência dentro de uma sincronia policial de ocupação geral da via pública. Esse comportamento foi de guerra e um pensamento totalmente militarizado. Essa foi mais uma prova de uma polícia militar despreparada, que não consegue gerenciar uma crise atendendo aos preceitos de cidadania. Transformaram o maior centro de manifestação popular da capital paranaense num campo de guerra. Essa atitude foi uma verdadeira insanidade policial. Muitas pessoas ficaram feridas, e força da Polícia Militar foi totalmente desproporcional, sem nenhum senso de racionalidade. A polícia foi mal conduzida e totalmente irracional na sua ação.
A Polícia Militar ainda opera com conceitos dos anos de 1970, e seus policiais são treinados nos mesmos preceitos e disciplina do Exército por meio do RDE (Regimento Disciplinar do Exército). Esse é um dos fatores que leva os subordinados a não pensarem e agirem justificando a ação em nome da cidadania e justiça social.
Agora nos surge a dúvida de quem mandou realizar essa ação contra os carnavalescos. Dentro de todo esse aparato militarizado será difícil encontrar o culpado. Mas sabemos que, para mover uma tropa de choque, necessária se faz a autorização do comando. Será que esse era um treinamento de situação real para a Copa do Mundo de 2014? Mas se o governo agir dessa forma num evento esportivo de tal envergadura como as Copas haverá sérios problemas de diplomacia. E o governo estadual quer montar UPPs (Unidades Policiais Pacificadoras) no Paraná com essa polícia desprepara que temos? Formular grandes projetos com o Paraná Seguro não adianta de nada se não investir em mudança de comportamento. O que será de nossa população mais humilde dos grotões desse estado?
L. Arthur Conceição – jornalista e cientista político


O Sebrae conta desde a última semana com o primeiro Termo de Referência que vai orientar sua atuação com foco na sustentabilidade dos pequenos negócios. O documento foi lançado no primeiro dia do Fórum de Conhecimento, evento nacional da instituição que aconteceu em Brasília.