Peabiru: o caminho indígena que atravessava a América

Notícia em Foco / 17-09-2009 / 14:03

Por Laura Schulli
mapapeabiruAutores consagrados, com Hernani Donato e Luis Galdino, defendem a tese de que o Peabiru era uma trilha incaica que visava a expansão deste império para as terras brasileiras. Outros, como a pesquisadora paranaense Rosana Bond, defende como uma trilha sagrada na qual os guaranis partiam também rumo ao Império Inca, na  busca de novas terras, mulheres, riquezas ou até mesmo sabedorias e ensinamentos.

Na mitologia guarani, a oeste estava o poente, a morada de Tupã, enquanto a leste encontrava-se a tão sonhada Terra Sem Mal. Como o Peabiru unia essas duas porções continentais pelo seu caminho, diversas migrações indígenas acompanharam seu leito e deixaram nele diversos vestígios de passagem. Exemplo disso está na pequena cidade de Rio Negro, onde o Museu local guarda vestígios dos guaranis em sua coleção.

Expedição Peabiru: descobertas surpreendentes no Paraná

Durante os meses de janeiro e fevereiro deste ano, uma equipe formou a Expedição Peabiru, saindo de Florianópolis para percorrer um dos ramais desta rota. Com o apoio da Fundação Catarinense de Cultura, o grupo da Produtora Pangéia esteve em três estados brasileiros e em três países para pesquisar quatro temas principais:
• O caminho do Peabiru
• O mito do Pay Zumé: a história de um homem branco que teria aberto este caminho e que no Brasil, pelo sincretismo católico, acabou se transformando em São Tomé.
• Aleixo Garcia: o primeiro europeu a conhecer o Império Inca, nove anos antes mesmo de Pizarro.
• Alvar Nuñez Cabeza de Vaca: o governador do Paraguai e grande aventureiro, que tentou percorrer o Peabiru.

  Durante o trajeto percorrido, a equipe descobriu partes intactas desta rota, com vestígios mais claros no Estado do Paraná. Há uma suposição que o território paranaense foi escolhido pelos indígenas pela abundância de frutos típicos, como o próprio pinhão e pôr ter uma bacia hidrográfica favorável a navegação na época.

A chegada dos imigrantes europeus, mais ao final do século XIX, quando se estabelecendo um processo mais familiar da produção agrícola foi um dos fatores que contribuiu para  proteger uma parte do Peabiru. Só nas proximidades da cidade de Pitanga, existem mais de 15 quilômetros de caminho, além de observatórios astronômicos, oficinas líticas e pedras com inscrições. Pela falta de informação, as comunidades ao redor têm recolhido artefatos indígenas, alguns objetos usuais e outros usados até mesmo em cerimônias religiosas. De acordo com pesquisadores autônomos, os proprietários de terras nessas áreas destroem os vestígios com medo de perder seus terrenos para o Estado, destruindo pôr completo um patrimônio arqueológico.

Peabiru: Patrimônio Cultural da Humanidade

peabA UNESCO vem desenvolvendo uma parceria com seis países da América do Sul onde passou os caminhos incas, no intuito em tombá-los como Patrimônio Cultural da Humanidade. O Brasil poderia ingressar nesse projeto, já que ainda conta com partes desses caminhos indígenas. Mas o País está atrasado nesse sentido , já que a história do Peabiru nunca foi completamente estudada e, consequentemente, não recebeu atenção devida por parte do poder público, diferentemente do que acontece em países como Peru, Bolívia e Chile.

O Estado do Paraná pode sair na frente neste movimento e iniciar estudos aprofundados sobre o Peabiru. Essa atitude irá valorizar o Estado enquanto integrante da mais importante rota indígena do Brasil. Não podemos perder de vista a mística desse Caminho  quando foi utilizado pelos Bandeirantes, por  ordens religiosas e até mesmo para o ingresso dos imigrantes durante a colonização.

Com as informações obtidas pela pesquisa, o Paraná poderá desenvolver uma rota de turismo turístico-cultural no interior do Estado, além de criar diversos produtos editoriais que poderão ser utilizados em escolas, museus e congressos. Mais importante que seus desdobramentos, e realizar um pesquisa mais aprofundada sobre o Peabiru, pois irá recuperar uma importante parte de nossa história, além de incentivar estudos sobre a ocupação do Estado antes da chegada dos imigrantes.

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