Relações entre Brasil e Irã testam um novo patamar

Notícia em Foco / 13-05-2010 / 08:36

 Por Elizabeth Naspe

Presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad

Presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad

No mês de maio, o presidente Luís Inácio Lula da Silva visita o Irã, esse passo irá elevar a um novo patamar a relação entre os dois países. Durante a estadia, Lula tem encontro marcado com o polêmico presidente do país persa, Mahmoud Ahmadinejad – que defendeu em diversas ocasiões a extinção do Estado de Israel e afirmou que o Holocausto judeu foi uma fraude. Essas opiniões foram rechaçadas pela comunidade internacional e, apenas contribuíram para aumentar o isolamento do Irã.

Além de ter um presidente polemista, o país está próximo de dominar todos os estágios para a fabricação de uma bomba nuclear, fato negado pelas autoridades iranianas, que afirmam que o programa nuclear não tem objetivos militares.

O governo dos Estados Unidos lidera as pressões sobre o Irã, através de organismos como o Conselho de Defesa das Nações Unidas (ONU) e, em um cenário mais extremo, caso as autoridades iranianas não cessem o desenvolvimento do seu programa de enriquecimento de urânio – etapa necessária para a fabricação de armas nucleares – uma intervenção militar poderá acontecer na região. É nesse cenário complicado que o Brasil testa o papel de novo ator da política internacional, com a defesa do uso da diplomacia e da negociação para o término do impasse EUA e Irã.

Para o cientista-político, Arthur Conceição, a atuação do Brasil visa uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU, e descarta a possibilidade de retaliações contra o país por defender o diálogo com o Irã. “É muito difícil o Brasil receber sanções devido às relações comerciais com o Mercado Comum Europeu e Asiático. Muitas empresas estão consolidadas no país, principalmente as instituições bancárias”. “A questão das atividades nucleares do Irã é apenas uma questão de defesa de território para não ser invadido, pois, tem grandes reservas de petróleo e no futuro vai ser um parceiro do governo brasileiro na transferência de tecnologia”, afirma Conceição.

O cientista-político defende o uso do poder suave do Brasil para intermediar conflitos e evitar crises com outras nações. “O governo brasileiro está totalmente alinhado a essa política de se manter entre as nações que tenham um poder de decisão de forma sem conflitos no campo diplomático. Essa é uma prova, pois, o presidente Lula vem abrindo diálogo constante com Paraguai e Bolívia”.

 Brasil e Irã tendem a firmar fortes negociações e parcerias

 

O governo brasileiro está conseguindo espaço entre as autoridades econômicas mundial. E com este intuito esta fazendo intercâmbio econômico-comercial e avaliando as oportunidades de investimentos com o Irã. Neste ano o Brasil está para concluir diversas alianças mercantis com os iranianos.

Estarão em acordo parcerias em13 setores distintos: alimentício, automotivo, de etanol, moveleiro, de equipamentos cirúrgicos, médicos e hospitalares, além de manufaturados.

O destaque da negociação poderá ser no setor de gasoduto. Proprietário da 2° maior reserva de gás natural do mundo, o Irã pretende firmar coligação com o Brasil e instruir as instituições brasileiras como explorar, transportar e distribuir este produto.

Segundo o site da Agência Nacional, no ano passado, exportações brasileiras para o Irã totalizaram US$ 1,2 bilhão. Comparando com 2008, quando as vendas externas foram da ordem de US$ 1,1 bilhão, houve aumento de 7,5%. As exportações para o mercado iraniano representaram 0,8% do total exportado pelo Brasil no período.

Com todo este alvoroço mercantil, os empresários brasileiros se queixam dos obstáculos causados pela falta de linhas de crédito disponíveis para fazer operações no Irã, pois as instituições bancárias brasileiros não atuam no Irã. Sendo assim, é necessário um terceiro país para concluir a negociação. Além de aumentar o preço dos produtos, atrasa o envio e a entrega da mercadoria, afirmam os empresários. Nesta viagem ao Irã, eles querem buscar uma saída para essa complexa operação.

Apesar destas fortes comercializações com o Irã, o Brasil está fazendo uma manobra arriscada em apoiá-lo. Pois as negociações com os americanos estão tensas, desde que o governo brasileiro começou a apoiar o governo iraniano.

A comissão americana prevê uma viagem ao Brasil entre maio e julho quando o presidente dos EUA poderá passar por Brasília antes de seguir à África do Sul para a Copa do Mundo. Entretanto a visita de Lula ao Irã, no próximo mês, poderá dificultar esse projeto. Será mais provável a vinda de Barack Obama no fim do ano, após o Brasil ter elegido o novo presidente.

De acordo com o economista José de Almeida de Amaral Junior, o Brasil é um velho aliado dos EUA, militar e economicamente. E, claro, com o crescimento do Brasil no quadro mundial nos últimos anos, os EUA cada vez mais terão de se ‘confrontar’. Nossa nação busca uma maior independência de suas ações. Esta é a grande importância desta cartada com o Irã.

Todos estes acordos e parceiras serão consolidados durante a visita do presidente Luís Inácio Lula da Silva e demais empresários brasileiros, ao Irã. Que provavelmente deve acontecer no próximo dia 15 de Maio.

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