ago 27
2009
O engenheiro agrônomo Marcelo Silva, fiscal da Seab, abordou o tema durante o Seminário sobre Proteção da Agrobiodiversidade, em Curitiba (PR). Em sua exposição, afirmou que “ficamos incomodados de como a CTNBio trata os transgênicos”. Acrescentou: “Há uma distância muito grande entre a fiscalização que está a campo e os engravatados da Comissão”.Marcelo e a equipe da Seab concentraram o estudo no que chamam de Safrinha, na região do município de Campo Mourão, onde a divisão entre produção transgênica e convencional é bem demarcada. Foi constatada a contaminação entre distâncias até maiores do que as estabelecidas pelas normas da Comissão. A contaminação se dá através da polinização que, com diferentes aspectos climáticos, avançam em diversas direções, afetando assim lavouras que estejam próximas.
“A norma técnica da CTNBio não existe na prática. Temos informações campo. Nesse momento não estamos precisando de informação científica”, defende Marcelo.
Em outro momento do seminário, o engenheiro agrônomo Adriano Riesemberg, da Divisão de Fiscalização de Insumos e Serviços Agrícolas da Seab, também falou sobre o poderio que exercem as empresas de biotecnologia no Paraná – principal exportador de milho do país.
Falou que os níveis de substâncias encontradas nos agrotóxicos como o glifosato, aplicado na soja, ultrapassam os limites permitidos. Numa mostra dada como exemplo, na safra 2005/2006, ele informou que chegou a ser encontrado 37 miligramas da substância, quando o estabelecido é 10 miligramas.
Outro estudo da Seab indicou altos níveis de ampa, substância tóxica também aplicada à soja transgênica. Riesemberg acrescentou que, em alguns casos, o produto estaria até impróprio para o consumo. O material foi encaminhado para a Anvisa, que não considera os efeitos tóxicos da substância.
Ainda por conta do estudo de monitoramento de milho, Riesemberg concedeu entrevista a um programa sobre assuntos rurais de uma grande rede de televisão. A matéria nunca foi ao ar. “É um jogo, onde eles compram o árbitro, o bandeirinha, e a Rede de TV transmite”, constata.