Turismo em harmonia com a natureza

Notícia em Foco / 08-05-2009 / 11:48

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A empresa de ecoturismo Caminhos do Sertão promove uma atividade quase que única na região Sul do Brasil. A chamada ecopedalada começa na praia de Itapirubá, no município de Laguna ao extremo sul catarinense e vai até a cidade de Florianópolis, percorrendo um total de 125 km, durante três dias. É pura adrenalina por rio, dunas, ribanceira e lagoas. Durante as pedaladas é possível avistar as baleias francas entre os meses de setembro até o final de outubro e demais animais que compõem o ecossistema da região, que é um verdadeiro deslumbre que mexe com a emoção do aventureiro. Todo o trajeto tem uma equipe com carro de apoio e os pernoites são feitos em lugares como pousadas e casas alugadas. Tudo é organizado com todos os critérios para preservação ecológica. O percurso é todo feito dentro da Área de Proteção Ambienta Baleia Franca. Quando os ecoturistas chegam pedalando em Florianópolis a travessia do continente para a ilha não é feita pela ponte, e sim de barco entre a praia do Sonho e a Caieira, localizada na Barra do Sul. Um dos sócios proprietários da empresa, fotógrafo e designer, Eduardo Green Short, levanta a discussão que essa forma de turismo é um dos que menos agredi o meio ambiente e é um dos setores que não há investimento algum por parte do governo.

Bem PúblicoO passeio de bicicleta feito pelo Caminhos do Sertão é o único nesse gênero na região?

Eduardo Short – Sim, pelo menos no nível de organização em que trabalhamos. Nossa empresa é a pioneira em cicloturismo em todo o Estado de Santa Catarina, além de nós há alguns grupos que organizam viagens esporádicas, mas não são focados no ramo, normalmente são lojas de bicicleta. Este roteiro, percorrendo a APA da Baleia Franca, é criação nossa com mais algumas associações. Fizemos inúmeras vezes esse trajeto até fechar que roteiro melhor adaptação há pessoas de todas as idades.

Bem Público – Como empresário do setor tem percebido aumento gradativo quanto a essa forma de fazer turismo?

Eduardo Short – Sim, inclusive foi devido a essa percepção que formamos a empresa, pois percebemos que as pessoas querem realmente conhecer os locais com mais contato, podendo conversar com os moradores, parar no momento em que quiserem para admirar as paisagens, ouvir os sons e sentir os cheiros da natureza. Além disso, o que viajam no ritimo de aventura fazem novas amizades e passam a se familiarizar com o mundo do cicloturismo. Todos os meses quando formamos novos roteiros, mais pessoas nos procuram para fazer as viagens nossa equipe. Nosso País ainda não tem uma cultura de dar valor para esse tipo de turismo mais aos pouco vamos informando para um público formador de opinião. Vejo sim hoje um aumento gradativo nessa forma de turismo, devido ao agito das grandes cidades.
 
Bem Público – Quais são as principais dificuldades para o setor? Está faltando investimento de divulgação para expandir o ramo do ecoturismo?

Eduardo Short – O poder público costuma só dar valor ao turismo de massa, que movimente grande volume de recursos. Nós, como pequeno negócio focado na natureza, trabalhamos sempre com pequenos grupos, e costumamos passar por áreas com pouca estrutura. Fazemos um trabalho de formiguinha, gerando renda para cada um dos restaurantes, pousadas, barqueiros, etc. Porém, nos falta uma estrutura que nos ajude não a trazer milhares de turistas de cada vez, mas sim que venham pequenos grupos com boa freqüência. Assim, todos os envolvidos no processo podem ter um retorno constante e oferecer sempre um melhor serviço.

Bem Público - O que tem a dizer a respeito do potencial econômico da região quanto APA da Baleia Franca?  

 Eduardo Short – Para nós, a região tem um potencial gigantesco, pois reúne uma natureza exuberante, caminhos seguros para pedalar e uma boa estrutura de apoio. A melhor época para o trabalho é claro durante a visita das baleias. Sinceramente, não queremos que a região se desenvolva demais, pelo contrário, queremos que ela se Envolva, com a prática de uma atividade sustentável. Por isso, usar bicicletas no turismo local é uma excelente oportunidade para não ter que agredir o meio ambiente com grandes estruturas, basta olhar os problemas que surgem com o excesso de carros na temporada: trânsito, barulho, poluição. Com o tempo, o excesso de pessoas praticando o turismo dito “predatório” irá degradar a qualidade dos locais e conseqüentemente essas mesmas pessoas não voltarão, ocasionando a decadência. Assim, é importantíssimo investir em turismo sustentável como o que praticamos e outras formas já conhecidas.

Serviço:
www.caminhosdosertao.com.br / contato@caminhosdosertao.com.br

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