abr 28
2009Violência e a desordem social
Artigo Cotidiano / 28-04-2009 / 09:03
O grande desafio das cidades brasileiras é a diminuição da violência. Hoje, esse fator não depende somente dos estados federados. A violência passou a ser uma questão complexa que exige um esforço redobrado voltado a parcerias entre os municípios. Essa pauta será o principal tema debatido nas campanhas nos municipios de grande porte no Brasil. Agora debater com soluções esdrúxulas e com ataques partidários não trará nenhuma resolução à situação presente. Hoje o grande problema da violência está nas áreas metropolitanas e nos bairros mais periféricos. Esforços na área da assistência e da educação que impliquem em gastos elevados não serão suficientes para os índices de violência diminuírem. A engenharia social exige paralelamente um controle social de todas as atividades públicas e privadas nos redutos mais violentos. Exemplo claro é a polícia, que não tem controle da sociedade e é temida. Realmente, vivemos uma desordem social sem ao menos criarmos uma estratégia para organizar todos esses conflitos urbanos.
O crime não é diluído e está concentrado em áreas especificas como é demonstrado pelos estudos realizados pelo pesquisador Cláudio Beato ligado ao Centro de Estudos de Criminalidade da Universidade Federal de Minas Gerais. Segundo o levantamento desse centro, 40% dos homicídios do País se concentram em duas grandes áreas metropolitanas, que são Rio de Janeiro e São Paulo. O Rio tem ao todo 650 favelas e apenas 50 têm situação crítica de tráfico de drogas e homicídios. Diante desse quadro, o grande problema a ser enfrentado pelas administrações das grandes cidades é encontrar a melhor forma para diminuir os números da violência e atacar a concentração dos fatores. Não existe receita de bolo! Mas temos claro que é preciso manejar com dados onde estão os principais focos da violência, sendo necessário haver uma integração com municípios das regiões metropolitanas por meio de um comitê permanente para integrar as ações. Esse comitê deveria ser necessário por determinação do Ministério da Justiça e do Ministério das Cidades, para que os municípios recebessem verbas para segurança e infra-estrutura e Programa de Aceleração Econômica – PAC – deveria priorizar-se essa área.
Os estados federados não podem ter quase que monopólio para resolver os conflitos que envolvam tráfico de drogas, consumo, violência seguidas de morte, e outros fatores que desestabilizam o convivo da paz social. A sociedade civil organizada precisa desenvolver um mecanismo pelos quais as pessoas passem a colaborar e se ajudar na luta contra a violência, pois ausência de controle leva à desordem das comunidades. Hoje temos um aglomerado de pessoas que não possuem laço com seu próprio habitat, levando uma multidão de desamparados não se preocuparem com sua própria comunidade ou temerem aqueles que pela imposição fazem violência.
As drogas e o tráfico de armas são os principais fatores que emperram o desenvolvimento humano nas comunidades carentes, onde se concentra o maior número de violência. Se não for realizada uma ação integrada, sem os palpites dos grandes escalões militarizados das polícias militares e dos desacreditados policiais civis, não resolveremos o problema da violência e não fortaleceremos as polícias estaduais. Muitos até dizem que a solução seria uma polícia única estadual desmilitarizada e integrada com ações sociais, pois assim seria mais fácil fiscalizar e controlar o aparato de segurança. Jogar a responsabilidade na assistência social e na educação como principal bandeira de luta contra a violência é um erro de estratégia. Jogando o compromisso para essas áreas, cairemos sempre no velho discurso sem criar novas soluções. Não resolveremos o problema abrindo escolas à noite e finais de semana. A juventude precisa de ajuda e o foco é ela, para que não se aumente ainda mais o extrato da exclusão de um país tão desigual como o nosso.
*Arthur Conceição – jornalista e Cientista Politico